sábado, 27 de outubro de 2012

ADÃO E EVA - cap. VI


Antes, devo admitir que a matéria do presente capítulo só foi possível idealizar, após longo estudo nas obras de Kardec, em especial, A Gênese Segundo o Espiritismo. 
  Reportarei agora considerações breves daquilo que se acha no texto bíblico e do que as obras mediúnicas nos trazem para nos esclarecer quanto às partes alegóricas que não mais se justificam. Por exemplo, a mulher que é formada de uma costela de Adão é uma alegoria se admitida ao pé da letra, mas, profunda quanto ao sentido, pois tem por fim mostrar que a mulher é da mesma natureza que o homem. Sob uma imagem pueril e às vezes ridícula, se nos ativermos à forma, a alegoria ocultará frequentemente as maiores verdades ou as deixará para a posteridade. O próprio Jesus diz no capítulo de João, de XIV a XVI: “enviar-vos-ei o consolador, O Espírito da verdade que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas”.
 Nesse capítulo, por inteiro, Jesus diz assim: “muitas das coisas que vos digo ainda não as compreenderíeis, por isso é que vos falo por parábolas; mais tarde, porém, enviar-vos-ei o Consolador, O Espírito da Verdade que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas”. Ao longo de minha obra não tinha ainda, com clareza, identificado para o leitor desinformado, de quem se trata “O Espírito da Verdade”. Para identificação - são Espíritos de luz, obreiros da Seara de onde comumente enviam mensagens de ensinamentos à Luz da Doutrina Espírita (obras recebidas por Alan Kardec, em 1857, na França) e que se perpetuam e alastram por todos os continentes nos dias atuais, trazendo-nos ensinamentos Cristãos.
De volta ao tema, Adão personifica a humanidade e o seu ‘pecado’ individualiza a fraqueza do homem na qual predominam os instintos materiais que ele não sabe resistir.
 A árvore, como árvore da vida, é o emblema da vida espiritual, da consciência que o homem adquire, do bem e do mal, para o desenvolvimento de sua inteligência e do livre arbítrio, em virtude do qual ele escolhe entre um e outro. O fruto da árvore simboliza o objeto dos desejos materiais do homem; é a alegoria da cobiça.  A árvore se ergue no meio do jardim das delícias para mostrar que a sedução está no mesmo seio dos prazeres e para lembrar que se o homem der preponderância aos gozos materiais, ele se afastará de seu destino espiritual.
 A morte da qual ele é ameaçado, caso infrinja a lei que se lhe faz jus, é um aviso das consequências inevitáveis, físicas e morais decorrentes da violação das leis divinas gravadas na consciência.
 Mas, onde ficaria o paraíso terrestre, cujos vestígios têm sido inutilmente procurados na Terra?  Segundo a Gênese, por Kardec, a expulsão do paraíso marca o momento em que os Espíritos de Capela vieram encarnar aqui entre os primitivos habitantes da Terra. O anjo, que empunhava uma espada flamejante, vedava a entrada do paraíso e simbolizava a impossibilidade em que se achavam os Espíritos expulsos e os dos mundos inferiores de penetrarem nos mundos superiores antes que o merecessem pela sua depuração. Kardec completa assim: “Quando, pois, Caim foi estabelecer-se a leste do Éden havia na Terra somente três pessoas: seu pai, sua mãe e ele; entretanto, Caim teve mulher e um filho”. Pergunta-se: Que mulher podia ser essa e como pudera ele desposá-la? O texto hebreu diz que ele estava construindo uma cidade e não ele construiu, o que indica uma ação presente e não anterior. Em uma cidade pressupõe-se a existência de habitantes, visto não ser de presumir que Caim a construísse para si, sua mulher e seu filho, nem que a pudesse edificar sozinho. Dessa própria narrativa, portanto, se conclui que a região era povoada; portanto, não podia sê-los pelos descendentes de Adão, que se reduziam a um só: Caim.
Deus não criou Adão e Eva para ficarem sozinhos na Terra e a prova disso está nas próprias palavras que Ele lhes dirige logo depois de tê-los formado e quando eles ainda se achavam no paraíso. Deus lhes abençoou e disse: “Crescei e multiplicai-vos; enchei a terra e submetei-a ao vosso domínio”.
Se nos apegarmos à letra da Gênese, eis as consequências às quais chegaremos: Adão e Eva, a princípio, se encontravam a sós no mundo. Depois de expulsos do paraíso terrestre tiveram dois filhos- Caim e Abel. Quando Caim se retirou para outra região, depois de haver assassinado o irmão, ele foi estabelecer-se a leste do Éden, onde havia somente três pessoas: seu pai, sua mãe e ele sozinho. Entretanto, Caim teve mulher e filho. Que mulher podia ser essa e onde pudera ele encontrá-la?           O texto bíblico diz que ele estava construindo uma cidade, mas uma cidade pressupõe a existência de habitantes. Deve-se observar que Caim não faria uma cidade para si, sua mulher e seu filho, mesmo que pudesse construí-la sozinho.
Adão e Eva representam um povo, uma raça (a raça dos gigantes mencionados na bíblia) e os vestígios do paraíso (o planeta Capela) têm sido inutilmente procurados na terra. A expulsão do paraíso marca o momento em que esses espíritos vieram encarnar entre os habitantes da terra; a mudança de situação foi a expulsão que eles sofreram. O anjo empunhando uma espada flamejante vedava a entrada do paraíso e simbolizava a impossibilidade dos espíritos rebeldes, mais atrasados, voltarem antes da expurgação ou da melhora como pessoa; mostrava a impossibilidade dos mais atrasados em penetrar nos mundos superiores.
Observando as promessas de Cristo, antes que esses degredados fossem enviados para o planeta Terra e quando já se achavam com o espírito pronto para serem expatriados, Jesus, junto deles, ouviu D’Ele a promessa de que algum dia viria para onde estavam sendo deportados para levar a eles, seres da raça adâmica, as lições suaves de um novo caminho a ser seguido. No livro A Caminho da Luz, um trecho diz assim sobre as promessas do Cristo: “Tendo ouvido a palavra do divino mestre antes de se estabelecerem na Terra, as raças adâmicas, nos seus grupos insulados, guardavam a reminiscência das promessas de Cristo que, por sua vez, as fortaleceram no seio das massas enviando-lhes, periodicamente, os seus missionários e mensageiros. Eis porque as epopeias do evangelho foram previstas e cantadas há alguns milênios antes da vinda do sublime Emissário. Os enviados do infinito falaram da celeste figura do Salvador, na China milenar, muitos séculos antes do advento de Cristo. Os iniciados do Egito esperavam-No com suas profecias. Na Pérsia, idealizaram sua trajetória antevendo-lhe os passos no caminho do porvir. Na Índia Védica, era conhecida quase toda a história evangélica de que o sol dos milênios futuros iluminaria a região escabrosa da Palestina. O povo de Israel, durante muitos séculos, cantou-lhe glórias divinas, da piedade e do martírio através da palavra de seus profetas eminentes”.

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