Antes,
devo admitir que a matéria do presente capítulo só foi possível idealizar, após
longo estudo nas obras de Kardec, em especial, A Gênese Segundo o
Espiritismo.
Reportarei agora considerações breves daquilo
que se acha no texto bíblico e do que as obras mediúnicas nos trazem para nos
esclarecer quanto às partes alegóricas que não mais se justificam. Por exemplo,
a mulher que é formada de uma costela de Adão é uma alegoria se admitida ao pé
da letra, mas, profunda quanto ao sentido, pois tem por fim mostrar que a
mulher é da mesma natureza que o homem. Sob uma imagem pueril e às vezes
ridícula, se nos ativermos à forma, a alegoria ocultará frequentemente as
maiores verdades ou as deixará para a posteridade. O próprio Jesus diz no
capítulo de João, de XIV a XVI: “enviar-vos-ei o consolador, O Espírito da
verdade que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas”.
Nesse capítulo, por inteiro, Jesus diz assim:
“muitas das coisas que vos digo ainda não as compreenderíeis, por isso é que
vos falo por parábolas; mais tarde, porém, enviar-vos-ei o Consolador, O
Espírito da Verdade que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará
todas”. Ao longo de minha obra não tinha ainda, com clareza, identificado para
o leitor desinformado, de quem se trata “O Espírito da Verdade”. Para
identificação - são Espíritos de luz, obreiros da Seara de onde comumente
enviam mensagens de ensinamentos à Luz da Doutrina Espírita (obras recebidas
por Alan Kardec, em 1857, na França) e que se perpetuam e alastram por todos os
continentes nos dias atuais, trazendo-nos ensinamentos Cristãos.
De
volta ao tema, Adão personifica a humanidade e o seu ‘pecado’ individualiza a
fraqueza do homem na qual predominam os instintos materiais que ele não sabe
resistir.
A árvore, como árvore da vida, é o emblema da
vida espiritual, da consciência que o homem adquire, do bem e do mal, para o
desenvolvimento de sua inteligência e do livre arbítrio, em virtude do qual ele
escolhe entre um e outro. O fruto da árvore simboliza o objeto dos desejos
materiais do homem; é a alegoria da cobiça.
A árvore se ergue no meio do jardim das delícias para mostrar que a
sedução está no mesmo seio dos prazeres e para lembrar que se o homem der
preponderância aos gozos materiais, ele se afastará de seu destino espiritual.
A morte da qual ele é ameaçado, caso infrinja
a lei que se lhe faz jus, é um aviso das consequências inevitáveis, físicas e
morais decorrentes da violação das leis divinas gravadas na consciência.
Mas, onde ficaria o paraíso terrestre, cujos
vestígios têm sido inutilmente procurados na Terra? Segundo a Gênese, por Kardec, a expulsão do
paraíso marca o momento em que os Espíritos de Capela vieram encarnar aqui
entre os primitivos habitantes da Terra. O anjo, que empunhava uma espada
flamejante, vedava a entrada do paraíso e simbolizava a impossibilidade em que
se achavam os Espíritos expulsos e os dos mundos inferiores de penetrarem nos
mundos superiores antes que o merecessem pela sua depuração. Kardec completa
assim: “Quando, pois, Caim foi estabelecer-se a leste do Éden havia na Terra
somente três pessoas: seu pai, sua mãe e ele; entretanto, Caim teve mulher e um
filho”. Pergunta-se: Que mulher podia ser essa e como pudera ele desposá-la? O
texto hebreu diz que ele estava construindo uma cidade e não ele construiu, o
que indica uma ação presente e não anterior. Em uma cidade pressupõe-se a
existência de habitantes, visto não ser de presumir que Caim a construísse para
si, sua mulher e seu filho, nem que a pudesse edificar sozinho. Dessa própria
narrativa, portanto, se conclui que a região era povoada; portanto, não podia
sê-los pelos descendentes de Adão, que se reduziam a um só: Caim.
Deus
não criou Adão e Eva para ficarem sozinhos na Terra e a prova disso está nas
próprias palavras que Ele lhes dirige logo depois de tê-los formado e quando
eles ainda se achavam no paraíso. Deus lhes abençoou e disse: “Crescei e
multiplicai-vos; enchei a terra e submetei-a ao vosso domínio”.
Se
nos apegarmos à letra da Gênese, eis as consequências às quais chegaremos: Adão
e Eva, a princípio, se encontravam a sós no mundo. Depois de expulsos do paraíso
terrestre tiveram dois filhos- Caim e Abel. Quando Caim se retirou para outra
região, depois de haver assassinado o irmão, ele foi estabelecer-se a leste do
Éden, onde havia somente três pessoas: seu pai, sua mãe e ele sozinho.
Entretanto, Caim teve mulher e filho. Que mulher podia ser essa e onde pudera
ele encontrá-la? O texto
bíblico diz que ele estava construindo uma cidade, mas uma cidade pressupõe a
existência de habitantes. Deve-se observar que Caim não faria uma cidade para
si, sua mulher e seu filho, mesmo que pudesse construí-la sozinho.
Adão
e Eva representam um povo, uma raça (a raça dos gigantes mencionados na bíblia)
e os vestígios do paraíso (o planeta Capela) têm sido inutilmente procurados na
terra. A expulsão do paraíso marca o momento em que esses espíritos vieram
encarnar entre os habitantes da terra; a mudança de situação foi a expulsão que
eles sofreram. O anjo empunhando uma espada flamejante vedava a entrada do
paraíso e simbolizava a impossibilidade dos espíritos rebeldes, mais atrasados,
voltarem antes da expurgação ou da melhora como pessoa; mostrava a
impossibilidade dos mais atrasados em penetrar nos mundos superiores.
Observando
as promessas de Cristo, antes que esses degredados fossem enviados para o
planeta Terra e quando já se achavam com o espírito pronto para serem
expatriados, Jesus, junto deles, ouviu D’Ele a promessa de que algum dia viria
para onde estavam sendo deportados para levar a eles, seres da raça adâmica, as
lições suaves de um novo caminho a ser seguido. No livro A Caminho da Luz, um
trecho diz assim sobre as promessas do Cristo: “Tendo ouvido a palavra do
divino mestre antes de se estabelecerem na Terra, as raças adâmicas, nos seus
grupos insulados, guardavam a reminiscência das promessas de Cristo que, por
sua vez, as fortaleceram no seio das massas enviando-lhes, periodicamente, os
seus missionários e mensageiros. Eis porque as epopeias do evangelho foram
previstas e cantadas há alguns milênios antes da vinda do sublime Emissário. Os
enviados do infinito falaram da celeste figura do Salvador, na China milenar,
muitos séculos antes do advento de Cristo. Os iniciados do Egito esperavam-No
com suas profecias. Na Pérsia, idealizaram sua trajetória antevendo-lhe os
passos no caminho do porvir. Na Índia Védica, era conhecida quase toda a
história evangélica de que o sol dos milênios futuros iluminaria a região
escabrosa da Palestina. O povo de Israel, durante muitos séculos, cantou-lhe
glórias divinas, da piedade e do martírio através da palavra de seus profetas
eminentes”.
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