sábado, 27 de outubro de 2012

O PODER E O BLOQUEIO DO PSIQUISMO: cap. XVI


A Gênese, por Kardec, nos alerta para o seguinte: “A conduta é o que conta e a experiência vem, algumas vezes, um pouco tarde, quando a vida já foi dissipada e perturbada. Essa consciência e essa compreensão, em tempo hábil, evitarão complicações, pois há males e doenças das quais o indivíduo é a causa primeira nesta vida. Os flagelos naturais e as enfermidades de nascimento, tais como as deformidades e as idiotices, tiram dos infelizes o meio de ganhar a vida pelo trabalho. Aqueles que nascem em semelhantes condições, seguramente nada fizeram nesta vida para merecerem uma sorte triste. Os sofrimentos, que lhes são as consequências, são para eles uma advertência de que erraram; os males lhes dão as experiências, fazendo-os sentir a diferença entre o bem e o mal e a necessidade de melhorarem para evitar, no futuro, o que foi uma fonte de desgosto.
 Nós somos vítimas de nossos próprios vícios e de nossos próprios erros. Conta-se que uma senhora, certa vez, precisou de ajuda financeira para custear a compra de medicamentos para si própria, conforme receituário que trazia consigo. Essa senhora saiu à rua para pedir aos transeuntes o dinheiro para comprar aqueles medicamentos que visavam cuidar de sua saúde. Colheu o dinheiro necessário ao gasto com os medicamentos, mas a facilidade com a qual arrecadou o dinheiro proporcionou a essa senhora repetidos gestos. Por algum tempo (vários anos) essa senhora, sempre em posse de receitas, pedia copiosamente ajuda financeira sob a alegação de que estava a precisar de medicamentos para cuidar de sua saúde. Certa vez, essa senhora adoeceu; sentia dores incríveis, porém as dores não cessavam com o uso dos analgésicos, bem como não sentia nenhuma alteração significativa quando tomava qualquer outro tipo de medicamento, ainda que tomasse doses superiores às exigidas. Um dia essa senhora veio a falecer em estado lamentável.
            O caso dela não foi castigo pelo delito praticado nem punição de Deus. O que ocorreu foi que a tela mental da enferma, contaminada pela culpa, rebaixava as vibrações de suas ondas mentais de forma que todo mal que ela sentia não tinha nenhuma interferência ou influência externa- nem de Deus, nem do diabo, nem mesmo de algum espírito vingador. O mal da enferma era psíquico, ou seja, a doença era de sua própria alma pelo poder da palavra. Mateus, 12, v. 37, diz assim: “Pelas tuas palavras serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado”. É o que a própria bíblia diz: “A cada um de acordo com suas obras”. O significado deste trecho está plenamente de acordo com as Leis Naturais que regem o planeta terra.
           Se os médicos fracassam na cura de algumas doenças é porque tratam o corpo sem considerar a alma, pois o fato de o “todo” não estar em bom estado faz com que fique impossível alguma parte ficar bem.          
             A Lei humana alcançaria todas as faltas e puniria o condenado, porém a maioria das faltas e dos delitos não está ao alcance da justiça dos homens. Deus quer o progresso de todas as criaturas e, por isso, Ele não deixa impune nenhum desvio do caminho reto. Não há uma só falta, por menor que seja e não há uma só infração à sua Lei que não tenha punição.
            Os sofrimentos, que nos são as consequências, são para nós uma advertência de que erramos. Esses mesmos sofrimentos nos darão experiências, fazendo-nos sentir a diferença entre o bem e o mal e a necessidade de melhorarmos para evitar, no futuro, o que nos foi uma fonte de desgostos e sofrimentos. Sem isso, não teríamos nenhum esforço para nos corrigirmos e, confiando na impunidade, retardaríamos nosso adiantamento e nossa felicidade futura.
            A quem, pois, culpar de todas nossas aflições senão a nós mesmos? O homem é assim: prefere acusar a sorte, a providência, a chance desfavorável e sua má estrela enquanto suas mazelas estão em suas faltas.    “Cessada a causa, o efeito tem de cessar, ou seja, depois de cumprida a pena ou sentença, suas aflições hão de cessar, hão de se curar. É precisamente o caso do encarcerado que cumpriu sua pena: o crime está pago; estará, a partir de agora, livre da prisão”. (Gênese, Kardec).
            É paradoxal e incompreensível à primeira vista, mas é assim: o julgo está por conta de seu juízo e este está em você. Se o delito cometido merece uma pena muito pesada, esse juízo é justo e distribuirá essas penas em futuras prestações, nas diversas encarnações que virão. É o plano justo de Deus através do processo das incorruptíveis e imutáveis Leis Naturais.
            No Evangelho segundo o Espiritismo encontra-se boa complementação ao raciocínio acima. Diz assim: “O homem não é sempre punido ou completamente punido na sua existência presente, mas não escapa jamais às consequências de suas faltas. Se ele não expia hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando seu passado. A infelicidade, que à primeira vista parece imerecida, tem, pois sua razão de ser e aquele que sofre pode sempre dizer: ‘perdoai-me Senhor, porque pequei’”.
            Os sofrimentos por causas anteriores são frequentes como os das faltas atuais. Há a consequência natural da falta cometida, ou seja, o homem suportará o que fez os outros suportarem; se foi duro e desumano, ele poderá ser tratado duramente e com desumanidade; se foi orgulhoso, egoísta ou fez mal uso da sua fortuna, poderá ser privado do necessário; se foi mau filho, poderá sofrer com os próprios filhos as aflições anteriormente provocadas.
            Assim se explica, pela pluralidade das existências e pela destinação do Planeta Terra como mundo expiatório, como cada um recebe a parte que merece e que a justiça de Deus jamais é interrompida.

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