A
Gênese, por Kardec, nos alerta para o seguinte: “A conduta é o que conta e a
experiência vem, algumas vezes, um pouco tarde, quando a vida já foi dissipada
e perturbada. Essa consciência e essa compreensão, em tempo hábil, evitarão
complicações, pois há males e doenças das quais o indivíduo é a causa primeira
nesta vida. Os flagelos naturais e as enfermidades de nascimento, tais como as
deformidades e as idiotices, tiram dos infelizes o meio de ganhar a vida pelo
trabalho. Aqueles que nascem em semelhantes condições, seguramente nada fizeram
nesta vida para merecerem uma sorte triste. Os sofrimentos, que lhes são as
consequências, são para eles uma advertência de que erraram; os males lhes dão
as experiências, fazendo-os sentir a diferença entre o bem e o mal e a necessidade
de melhorarem para evitar, no futuro, o que foi uma fonte de desgosto.
Nós somos vítimas de nossos próprios vícios e
de nossos próprios erros. Conta-se que uma senhora, certa vez, precisou de
ajuda financeira para custear a compra de medicamentos para si própria,
conforme receituário que trazia consigo. Essa senhora saiu à rua para pedir aos
transeuntes o dinheiro para comprar aqueles medicamentos que visavam cuidar de
sua saúde. Colheu o dinheiro necessário ao gasto com os medicamentos, mas a facilidade
com a qual arrecadou o dinheiro proporcionou a essa senhora repetidos gestos.
Por algum tempo (vários anos) essa senhora, sempre em posse de receitas, pedia
copiosamente ajuda financeira sob a alegação de que estava a precisar de
medicamentos para cuidar de sua saúde. Certa vez, essa senhora adoeceu; sentia
dores incríveis, porém as dores não cessavam com o uso dos analgésicos, bem
como não sentia nenhuma alteração significativa quando tomava qualquer outro
tipo de medicamento, ainda que tomasse doses superiores às exigidas. Um dia
essa senhora veio a falecer em estado lamentável.
O caso dela não foi castigo pelo
delito praticado nem punição de Deus. O que ocorreu foi que a tela mental da
enferma, contaminada pela culpa, rebaixava as vibrações de suas ondas mentais
de forma que todo mal que ela sentia não tinha nenhuma interferência ou
influência externa- nem de Deus, nem do diabo, nem mesmo de algum espírito
vingador. O mal da enferma era psíquico, ou seja, a doença era de sua própria
alma pelo poder da palavra. Mateus, 12, v. 37, diz assim: “Pelas tuas palavras
serás justificado e pelas tuas palavras serás condenado”. É o que a própria
bíblia diz: “A cada um de acordo com suas obras”. O significado deste trecho
está plenamente de acordo com as Leis Naturais que regem o planeta terra.
Se os médicos fracassam na cura de
algumas doenças é porque tratam o corpo sem considerar a alma, pois o fato de o
“todo” não estar em bom estado faz com que fique impossível alguma parte ficar
bem.
A Lei humana alcançaria todas as
faltas e puniria o condenado, porém a maioria das faltas e dos delitos não está
ao alcance da justiça dos homens. Deus quer o progresso de todas as criaturas
e, por isso, Ele não deixa impune nenhum desvio do caminho reto. Não há uma só
falta, por menor que seja e não há uma só infração à sua Lei que não tenha
punição.
Os sofrimentos, que nos são as
consequências, são para nós uma advertência de que erramos. Esses mesmos
sofrimentos nos darão experiências, fazendo-nos sentir a diferença entre o bem
e o mal e a necessidade de melhorarmos para evitar, no futuro, o que nos foi
uma fonte de desgostos e sofrimentos. Sem isso, não teríamos nenhum esforço
para nos corrigirmos e, confiando na impunidade, retardaríamos nosso
adiantamento e nossa felicidade futura.
A quem, pois, culpar de todas
nossas aflições senão a nós mesmos? O homem é assim: prefere acusar a sorte, a
providência, a chance desfavorável e sua má estrela enquanto suas mazelas estão
em suas faltas. “Cessada a causa, o
efeito tem de cessar, ou seja, depois de cumprida a pena ou sentença, suas
aflições hão de cessar, hão de se curar. É precisamente o caso do encarcerado
que cumpriu sua pena: o crime está pago; estará, a partir de agora, livre da
prisão”. (Gênese, Kardec).
É paradoxal e incompreensível à
primeira vista, mas é assim: o julgo está por conta de seu juízo e este está em
você. Se o delito cometido merece uma pena muito pesada, esse juízo é justo e
distribuirá essas penas em futuras prestações, nas diversas encarnações que
virão. É o plano justo de Deus através do processo das incorruptíveis e
imutáveis Leis Naturais.
No Evangelho segundo o Espiritismo
encontra-se boa complementação ao raciocínio acima. Diz assim: “O homem não é
sempre punido ou completamente punido na sua existência presente, mas não
escapa jamais às consequências de suas faltas. Se ele não expia hoje, expiará
amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando seu passado. A
infelicidade, que à primeira vista parece imerecida, tem, pois sua razão de ser
e aquele que sofre pode sempre dizer: ‘perdoai-me Senhor, porque pequei’”.
Os sofrimentos por causas
anteriores são frequentes como os das faltas atuais. Há a consequência natural
da falta cometida, ou seja, o homem suportará o que fez os outros suportarem;
se foi duro e desumano, ele poderá ser tratado duramente e com desumanidade; se
foi orgulhoso, egoísta ou fez mal uso da sua fortuna, poderá ser privado do
necessário; se foi mau filho, poderá sofrer com os próprios filhos as aflições
anteriormente provocadas.
Assim se explica, pela pluralidade
das existências e pela destinação do Planeta Terra como mundo expiatório, como
cada um recebe a parte que merece e que a justiça de Deus jamais é
interrompida.
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