sábado, 27 de outubro de 2012

QUANDO AS ÁRVORES CHORAM: - cap. XXVII


Acostumados que estamos a julgar a natureza pela nossa pobre imaginação, não admitimos que o planeta Terra respira, possui coração e que seus batimentos cardíacos se aceleraram a partir dos anos 80, cuja frequência era, até então, de 7,83 alternando hoje entre 11 e 13 hertz por segundo. Esse achado teórico é do cientista alemão W.O. Schumann. Segundo os entendidos, essa mudança natural fez com que o planeta Terra perdesse um terço de seu tempo útil no dia a dia. Enquanto isso o escritor e naturalista JAMES VAN PRAAGH, em seu livro “O Despertar da Intuição”, afirma por via do sexto sentido que o novo homem do 3º milênio poderá perceber também que as árvores choram...
            Dando prosseguimento e no apaziguamento de agradáveis caminhadas ecológicas em região rural de determinado município, vislumbro diariamente um Jequitibá antigo e que talvez exista há 2 ou 3 séculos aproximados. Essa árvore possui dimensões admiráveis, cuja copa abraça considerável espaço de frondosa, saudável e inigualável sombra.
            Ao cruzar com belíssima árvore, incansavelmente, debruço em fervorosa perscrutação sobre o que teria assistido aquela árvore ao longo de sua existência. Provavelmente tenha ela colhido sob sua copa, milhões de animais, aves, pássaros, muitos já extintos, bem como seres humanos das mais variadas classes, onde se incluem lavradores, fazendeiros e provavelmente, índios e escravos. Para elucidar os indícios da existência de escravos e índios ali, citaremos tradicionais muros de pedras na região e que foram feitos pelos escravos e que percorrem longas distancias, atingindo, inclusive, os limites da referida árvore; não obstantes, instrumentos, vasilhas, e relíquias arqueológicas são eventualmente encontradas alí e que comprovam a existência de índios naquelas paragens.
            Indiferentemente do que eu venha revelar ou desenvolver ao longo da matéria, nenhum ‘mortal’ terá acesso aos acontecimentos ocorridos sob a tutela da árvore no extenso período da sua existência, é claro; contudo, em se tratando de assuntos da natureza, nada passa despercebido. Os acontecimentos que envolvem os interesses da natureza estarão arquivados com imagem, som e até cheiro pela ferramenta que os monges tibetanos conhecem como registro Akashico, enquanto nós, os ocidentais, conhecemos como psicometria que é a faculdade de algumas criaturas, ler psiquicamente, em contato com objetos ou coisas, as impressões de acontecimentos e cenas vividas no passado. Não há uma pequenina folha eventualmente caída da árvore ou mesmo um gigantesco terremoto houvera passar despercebido pelas Leis Naturais, sem registro; mas tudo isso ficará reservado à posteridade mais evoluída.
O SONHO:
            Em uma dessas noites de sono profundo, em sonho, em plena caminhada, percebi bem logo atrás de mim, um cidadão ao meu alcance. Olá, disse ele, apresentando-se entusiasticamente e logo dizendo: como vai? - Olha, em vida passada eu era escravo e recebia o nome de ‘Pai João’, dizia mais: nós humanos já vivemos muitas vidas; todavia a maioria das pessoas não lembra o seu passado por conta do véu do esquecimento, uma benção natural concedida pelo Pai Maior, já que, lembrar de nossas reminiscências, provocaria sofrimentos e perturbaria o percurso de nossa vida presente; continuou ele: - Excluído que sou desse processo de esquecimento, tenho noção de que já fui índio, escravo e toda sorte de ser- pude viver na carne e em espírito em minha longa existência.
            Naquele exato momento, ainda em sonho, enquanto conversávamos, apreciávamos da estrada que ficava mais acima, a citada e reverenciada árvore de Jequitibá, foi quando, em tom de entusiasmo, pude lhe interromper, dizendo: caro peregrino, não desejando desviar-me de vossos ensinamentos que tanto me ilustra e cativa; porém, entusiástica preocupação me assombra acerca daquele magnifico Jequitibá lá em baixo. É que me admira imaginar quantas vidas animais e vegetais a árvore pôde perceber ao longo de sua existência, sob o domínio de sua própria sombra, foi quando prontamente ele exclamou em tom de carinho e respeito para dizer: Caro andante, não seja por isso, se me permiti, irei revelar ao amigo, fatos do passado, um flash back em meio á tantas outras milhões de passagens ocorridas sob o olhar atento dessa perene, majestosa e abençoada árvore. Segue-me até ao pé da árvore, se assim o desejar.
Sem mais delongas, atendi ao seu carinhoso pedido e segui-o. - Ao pé da referida árvore, adiantou-se, solenemente como a reverenciar-se com magnifico monumento natural, estendendo-se os braços, tentando alcançá-la com seus braços abertos em uma espécie de transe hipnótico, momento único e solene passei a ouvir cânticos vindo de sua voz, num tom misto afro/indígena, um hino melancólico que mais parecia um clamor seguido de um pedido de perdão feito por ele em nome de toda raça terráquea pelos maus tratos á mãe natureza ao longo dos séculos. Contidos seus próprios lamentos, sem desprender-se da árvore, tal como um cabo elétrico, um mediador ou um condutor magnetizado, estendeu sua mão direita, agarrando-se as minhas com firmeza, foi quando pude captar um choro sofrido, um vazio, uma sensação enorme de perda e um lamento triste, um sentimento comum aos humanos no momento de muito sofrimento; eram os mais puros sentimentos extraídos do Jequitibá. A partir daquele momento meus pobres conhecimentos foram insuficientes para traduzir com precisão, parte da mensagem captada. Tão enigmática eram as mensagens que veio-me na lembrança os trechos do livro Perdôo-te de Amália Domingos Soler, em que a personagem diz assim: - Há amor, mas há seleção; se a maioria dos humanos se fecham para as Leis Naturais... Os elementos da vida não são culpados se os homens tapam os ouvidos para não ouvir palavras de amor e tapam os olhos ante esse quadro divino da reprodução universal.
O fruto dessa ignorância são as queimadas inconsequentes, impiedosas, realizadas em nome das conquistas efêmeras.
            ...A mensagem capitada teve final assim: Ao homem, pelo seu livre arbítrio, colherá o que plantar. Nesse intuitivo momento de sonho vi outras coisas... Vi o que os olhos não querem ver e o coração não quer sentir... Vi um oceano invadindo montanhas com suas ondas gigantescas... antes de acordar vi o pior: vi que não há retrocesso ao período de paz até então ocorrida; pelo contrário, complicar-se-á cada vez mais...

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