sábado, 27 de outubro de 2012

O SEXO E O PECADO ECLESIÁSTICO - cap. XIX


O que o homem não deseja pela razão, deseja por força de seus instintos naturais, onde se encontra o Eros. Sexo não é pecado quando é praticado com responsabilidade - é parte integrante da natureza dos seres vivos. Para que servem os órgãos sexuais? São Clemente respondeu assim: “Não me envergonho de falar para a utilidade dos leitores, dos órgãos sexuais que dão origem ao homem, posto que Deus não se envergonhou em criá-los”. As relações sadias e responsáveis promoverão ao indivíduo o estímulo das glândulas e as consequentes melhoras das condições fisiológicas; as glândulas são um conjunto de células responsáveis por substâncias vitais e indispensáveis à saúde do indivíduo, sendo que a falta da relação ao mesmo poderá provocar nele a irritabilidade, a dor de cabeça, a enxaqueca e outros tantos males da saúde.
Huberto Rodhen, em seu livro Mahatma Gandhi, diz assim sobre sexo: “O que à primeira vista parece desconcertante e antagônico é, na verdade, perfeitamente harmonizável. É fora de dúvida que as forças genéticas, quer no homem, quer na mulher, quando desviadas do seu curso habitual, possam causar grandes males, mas também podem produzir grandes bens. Uma torrente impetuosa, transbordando do seu leito natural, pode devastar largas zonas em derredor, mas quando habilmente canalizada pode também irrigar e fertilizar desertos ou então mover turbinas, produzir força e luz e assim beneficiar populações inteiras. As águas paradas de um lago não movem máquinas nem irrigam plantações sem o caimento, sem a diferença de nível; assim, da atuação das forças genéticas depende a existência do gênero humano  e, como a natureza quer imperiosamente a continuação da nossa raça, colocou-a ao lado do necessário (o prazeroso)”. Continua: “Se a atuação das forças procriadoras obedecesse a um simples imperativo categórico do ‘dever’, é certo que, desde há muito, teria deixado de existir a humanidade sobre a face da terra, mas como esse ‘bioenergético’ vem acompanhado de um ‘prazer erótico’, não há perigo de que a humanidade se extinga, a não ser em virtude de processos desnaturais que associem uma coisa a outra. A delícia do prazer garante o cumprimento do dever! Tudo que é fácil e deleitoso tem garantia de continuação e perpetuidade; o que é difícil e penoso não tem, de per si, garantia de continuidade, pois pode falhar, ser omitido, adiado, esquecido, preterido ou deixado para tempos melhores. Reprimir o impulso sem lhe dar um equivalente em outro terreno é, na pessoa normal, um fato perigoso e, não raro, catastrófico”.
            Examinemos mais um recado do mestre Rodhen sob o tempero de auspiciosa verdade, cuja carapuça poderá servir para muitos de nós mortais: “Um impulso, violentamente recalcado, procura manifestar-se de outra forma, assim como uma torrente represada tem a tendência de procurar escoamento por outra parte quando não consegue solapar e arrasar diques e barreiras”. Mais um complemento de Rodhen: “Também aqui vale a grande Lei ‘tudo se transforma’. A energia sexual é uma força excedente que, em sua função exócrina, não se destina ao próprio indivíduo, mas visa à criação de outros indivíduos e é, como tal, uma energia transcendente e criadora”.
            Em ultima análise: o que é o erótico na visão de Rodhen? Segundo ele, “por mais paradoxal que a muitos pareça, o erótico assegura o desejo da imortalidade, da vida eterna. Todo indivíduo, uma vez existente, quer existir para sempre e se defende com todas as forças contra a inexistência ou extinção, mas, como o indivíduo sente instintivamente que não pode viver eternamente como tal, procura viver eternamente como espécie. O desejo da imortalidade individual é substituído pelo desejo da imortalidade racial, pois, pelo ato sexual, o indivíduo, em certo sentido, transmite sua vida a outro indivíduo que, após a morte do transmitente, continua a viver em lugar dele. Esse processo representa, por assim dizer, uma ‘imortalidade em prestações sucessivas’, uma vez que a ‘imortalidade à vista’ não é possível ao indivíduo comum”.
Para a plena liberdade exige-se igual responsabilidade. Se sexo fosse pecado, os animais estariam recebendo privilégios de Deus, já que estes fazem sexo sem culpa, sem medo e sem pecado; aliás, por que então os animais receberiam da mãe natureza os órgãos sexuais? Se não fosse permitido o sexo entre os animais, como ocorreria o processo da continuidade da espécie e como se daria a preservação da mesma? Alguém pergunta: - Sexo é amor? Henrique Rodrigues, em seu livro Contos que a Vida Conta, diz assim sobre sexo: “Como existe prazer no sexo, constantemente ele é confundido com amor. Se sexo fosse uma manifestação de amor, a humanidade de nossos dias estaria vivendo em um mar de rosas, em plenitude de amor, pois jamais o sexo foi tão livre, abundante e requintado. Muita gente ainda não atentou para a sabedoria das leis que regem a natureza, que ‘adoçou’ a relação sexual com a única finalidade da preservação da espécie”- finalizou.
            Quantos casais de namorados se acham, em algum momento, em desespero causado por uma concepção inesperada? A alegação da moça é quase sempre a de que ela não se achava no dia da relação em estado de fertilidade, se esquecendo de que o sexo é uma manifestação dos instintos e que aquele momento de emoção aflorada, por conta do “Eros”, responderia por alterações nos hormônios, dando espaço a uma consequente mudança das reais condições fisiológicas que possibilitariam até a própria fecundação inesperada. Por isso, infelizmente, as vitimas de estupro, ainda que por via de uma relação negativa, de pavor, de medo e repulsa, podem vir a ter uma indesejável gravidez. Ninguém escapa a essa inclusão natural dos instintos.
            Qual é o momento correto para a relação dos jovens? Qual é a idade correta para a iniciação da relação? Os animais nos mostram diariamente que a relação entre eles só se efetiva quando o macho e a fêmea se acham prontos orgânica e fisiologicamente e eles o fazem sem errar porque agem instintivamente. Essa bússola é um presente de Deus à natureza e aos animais para seu próprio equilíbrio e controle natural. A natureza nos mostra todos os dias que a semente só germina quando se acha pronta, amadurecida. Em se tratando do Ser Humano, este possui mais de Deus; além do instinto, ele possui a consciência da alma e da intuição para discernir o momento correto com liberdade. O mundo espiritual está sempre trazendo-nos ensinamentos. Ramatiz, no livro Elucidações do Além, diz que através da escola Hindu sabe-se que o universo é ‘setenário’, isto é, todas as manifestações mais importantes da vida cósmica planetária são disciplinadas ou regidas por um padrão vibratório diretor, que é o número 7 (sete). Por exemplo, em diversas atividades do homem que dizem respeito aos momentos mais importantes de suas vidas, observa-se o padrão setenário, regendo-lhes as manifestações e responsabilidades. A criança é considerada inocente até os sete anos, idade em que se integra definitivamente ao corpo físico. A puberdade no menino ou na menina chega aos quatorze anos, época na qual solidifica-se no indivíduo o corpo astral das emoções ou dos desejos. A maioridade (ou emancipação) só se faz aos vinte e um anos, passando o indivíduo a raciocinar, dali por diante, sob sua responsabilidade. Essa responsabilidade se dá também dentro das leis dos homens, da lei civil. De fato existe uma diferença de natureza entre o adulto e o adolescente no comportamento da intimidade; enquanto o adulto procura resolver seus problemas baseados em experiências vividas, a criança ou o adolescente se fundamenta com a única ferramenta em seu poder que se chama imaginação ou fantasia.
            A evolução da espécie humana impõe novo comportamento e novas experiências. Ainda que encontremos nos dias de hoje indivíduos frios, calculistas, indiferentes a tudo e a todos e sem compromisso com a vida ou com as pessoas, brota um universo de jovens saudáveis, esperançosos e dotados de responsabilidade e personalidade própria por todo o planeta. São as crianças índigo, também conhecidas como crianças ‘azuis’. Essas crianças já são citadas por alguns mentores espirituais que são unânimes em afirmar que elas são mais evoluídas espiritualmente, embora sobrepõe-se o maior peso na grandeza intelectual. Esses jovens que despontam, com o vagar que a vida exige, irão substituindo os indivíduos nos cargos públicos, nas instituições de uma forma geral para a implantação de uma visão mais humanística e fraterna. É o preparo “Espiritual” para uma nova era que se aproxima. Contudo, alguns indivíduos já se acham entre as famílias. Esses jovens não ingerem bebidas alcoólicas, não usam drogas, não fumam e se ocupam com os estudos, com o trabalho, não se ocupam muito com religião até porque o homem do futuro não precisará de intermediários para a comunicação com Deus. Eles só praticam o sexo priorizando o bem estar, e a realização íntima de ambos. A missão desses jovens é trazer a ética e a moralidade para o nosso meio.

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