sábado, 27 de outubro de 2012

NOSSAS ESCOLHAS E O LIVRE ARBITRIO: - cap. XII


Assistimos nos templos, nas igrejas e nas TVs, padres e pastores na pregação, no exercício do sentimento cristão, da filantropia e da espiritualidade e no devotamento do Código Moral de Cristo, que é o amor universal, enquanto uma minoria, utilizando-se dos meios de comunicação e tomados pela ambição e a desonestidade, utilizam-se da ingenuidade de fiéis para a busca insana do enriquecimento ilícito, através do dízimo.    
Ora, nenhum delito é permitido por Deus, é lógico, mas os crimes cometidos por religiosos ou por políticos normalmente envolvem milhares ou milhões de pessoas e, por isso, são os mais graves, dizem os Espíritos.                                                                           
Um dia desses um religioso pregava pela TV. Ele chamava a atenção dos fiéis quanto a desobediência destes para com a gratidão pelos atributos conquistados na vida terrena. Ameaçava-os dizendo que o talento ou o dom que o homem possui é patrimônio de Deus e avisava: - sendo Deus o dono do talento, poderia “Ele”, a qualquer momento, tomá-lo de volta. Ora! Se existe algo que o homem possui e que Deus não interfere - esse algo é apenas o talento, é o seu próprio dom. Desse mundo não se leva nada que exceda a bagagem da alma e seus atributos, pois este é seu único e verdadeiro patrimônio que a traça não destrói e a ferrugem não consome. O dom é como um filho - se alguém o toma ou se a morte o leva, ainda assim ele será sempre seu filho. Todavia, se estiver na mão de um cientista a descoberta de uma vacina contra uma enfermidade ou contra uma peste e este cientista não a desenvolve, um dia ele poderá vir a ser vítima de sua própria consequência em face de sua omissão. A cada um será dado segundo suas obras. Como eu já disse acima, o crime do político ou de um religioso é o delito mais grave, já que a falta cometida por omissão ou por desvio de interesses, prejudica milhares e, às vezes, milhões de seres humanos. Deus não é nosso juízo. Para que seja feita justiça, Ele deixou suas Leis prontas, inequívocas e imutáveis.
            Outro engano é pensar que Deus e a natureza vingam as ofensas sofridas pelo homem. Ora! É absolutamente falso esse entendimento. Como disse, Deus permitiu-nos o livre arbítrio. Fazemos de nossa vida o que quisermos e iremos colher o que plantarmos.
            Até o presente momento, já são milhares as vítimas fatais, cujas mortes foram provocadas por fenômenos de vendavais, tsunames, enchentes e terremotos ocorridos em variadas partes do mundo, devido ao aquecimento do planeta. O desmatamento e os gases poluentes contribuem gradativamente para o aquecimento global. Ora! Se tirarmos do planeta os meios geradores da qualidade de vida, seremos nós as próprias vítimas. A nossa qualidade de vida será melhor ou pior pelo que a natureza puder nos oferecer, ou seja, ela nos dará intrinsecamente aquilo que ela naturalmente possuir - nem mais, nem menos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo diz assim sobre o livre arbítrio: “Deus, sendo soberanamente justo, considera igualmente a todos os filhos; por isso, Ele dá a todos o mesmo ponto de partida, a mesma oportunidade e a mesma liberdade de agir. Todo privilégio seria uma preferência e toda preferência seria uma injustiça. Deus fornece-nos na entrada da vida, como primeira prova, o uso de nosso livre-arbítrio. Aquele que cumpre essa tarefa com zelo vence rapidamente, torna menos penosos seus primeiros degraus de iniciação da vida e goza mais cedo os frutos dos seus trabalhos. Aqueles que, ao contrário, fazem uso indevido da liberdade que Deus lhe concedeu, retardam seu adiantamento. Deus deseja que o homem tenha a responsabilidade dos seus atos e deixa a ele o mérito de escolha entre o bem e o mal; assim, colherá o que plantar”.
            “Salvem o planeta Terra!”- disse o cientista e biólogo americano Edward Wilson, empenhado em importante estudo sobre os seres vivos no planeta e autor do livro Diversidade da Vida. Em seu novo livro, ‘A Criação’, ele analisa as relações entre religião e ciência e propõe uma solução para o confronto ideológico nesse campo. Diz ainda que religiosos e cientistas deveriam deixar de lado as diferenças. Para ambos, a natureza é sagrada, pois dela depende a criatura humana. Ora! Esse entendimento pretendido pelo nobre cientista não é fácil. Não haverá a autorrealização sem a auto-espiritualização no sentido humano e divino. Prevalece o conceito de Paulo de Tarso (São Paulo) no qual a criatura só encontra a verdade depois que o “homem novo” e autenticamente espiritual elimina o “homem velho” da linhagem animal. Esse entendimento proposto pelo cientista Edward é complicado, já que o sentimento separatista é latente entre os próprios religiosos. Diz Ramatiz em sua obra A Vida Humana e o Espírito Imortal que: “Os homens variam em temperamentos, costumes, culturas e, quando se filiam a uma organização ou instituição espiritualistas para interpretar-lhes o sentimento religioso, desfiguram a sua feição divina em face das proibições, dogmas e tabus separatistas”.
 As igrejas fecharam os olhos obstinadamente. Diz Kardec: “fechar os olhos ao perigo não é evitá-lo”. Ele ainda completa: “De duas, uma: ou a ciência está em erro ou tem razão”. Não há como fazer verdadeira uma tese que lhe é contrária; não há nenhuma ‘verdade’ que possa sobrepor à autoridade dos fatos. Compreender o avanço na qualidade de vida do homem atual é comprovar a era quântica, o avanço da medicina e o próprio avanço da telecomunicação. A entrada no terceiro milênio há de ser também o período da IMAGEM. Na copa do mundo de 2006, na Alemanha, no jogo Brasil x Austrália, se viu, ao vivo, quando Ronaldo, o fenômeno, sofreu uma agressão de um adversário- agressão essa que arranhou as canelas do atleta. A imagem foi transmitida com nitidez microscópica e a impressão que se teve é que os telespectadores viram com mais clareza os arranhões sofridos pelo jogador do que ele próprio. Nos filmes televisionados das copas dos anos anteriores a 1958, mal conseguíamos diferenciar os jogadores; como vemos, as qualidades que a ciência nos oferece no dia-a-dia permite que os fatos falem por si só.
Kardec diz mais: “Somente as religiões estacionárias podem temer as descobertas da ciência; o erro está naquelas que se deixam afastar pelas ideias do progresso, imobilizando-se no absolutismo de suas crenças. Elas, em geral, fazem tão mesquinha ideia de Deus que não compreendem que assimilar as leis da natureza que a ciência revela é glorificar a Deus em suas obras. Nas suas cegueiras preferem render homenagens ao demônio, atribuindo-lhe as conquistas científicas”; completando, Kardec diz mais: “Uma religião que não estivesse em nenhum ponto em contradição com as leis da natureza, nada teria a temer do progresso e seria invulnerável”.
            Entre o ateu e o cientista encontraremos, no dia-a-dia, um ateu que nunca foi cientista e um cientista que nunca foi ateu. Porém, os cientistas de hoje teriam motivos suficientes para repudiar as religiões, os religiosos e as igrejas pela sistemática perseguição que sofreram ao longo dos anos, tal como ocorreu a Galileu Galilei e a outros milhares de cientistas ao longo da história, vítimas perseguidas pelo Tribunal de Inquisição.
            Retornemos à preocupação do nobre cientista Dr. Edward Wilson, que propõe uma solução para o confronto ideológico entre cientistas e religiosos. Ora! Comprovar o benefício do desenvolvimento científico que é responsável por toda a melhora de qualidade de vida que o ser humano recebe diariamente, é “chover no molhado” e dispensa outros comentários.
            Ainda sobre o livre-arbítrio, em junho de 2006, uma importante autoridade eclesiástica teria viajado até o campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia e, estando lá, teria exclamado: “Ora, por que Deus se calou frente a esse terrível holocausto?”. Ora, logicamente a autoridade estava se referindo ao sofrimento dos ‘Judeus’, prisioneiros da 2ª Guerra Mundial.
 É natural o desabafo da autoridade pela própria covardia, indignação e sofrimento das vítimas. Realmente é imperdoável a ação dos nazistas no referido episódio. Contudo, a quem se deve culpar pelas guerras? Ser justo ou ser desumano nunca dependerá de Deus. Se o homem quiser praticar guerras, ele irá praticá-las, tendo como orientação apenas a sua consciência. Na copa da Alemanha, em 2006, a enorme preocupação de grande parte da sociedade Alemã e dos organizadores da Copa do Mundo eram as constantes ameaças feitas pelos Neo-Nazistas e pouco se sabia sobre onde eles ainda desejam chegar. O homem não é um boneco teleguiado por Deus como pensam alguns. Quando Deus presenteou-nos com o livre arbítrio, foi como se Ele dissesse: dou-lhes a liberdade para que possas escolher vosso próprio caminho, mas a partir desse momento não sou mais vosso Juízo.
Com o presente do livre-arbítrio, com a liberdade incondicional, estaremos livres para fazermos escolhas e para assumirmos nossos próprios caminhos; você está onde você se põe. Nós estaremos onde quisermos estar, ou seja, é mais do que justo colhermos o que plantarmos. Ramatiz novamente nos alerta: “Não julgueis que os tiranos e os déspotas são os únicos culpados pelos massacres, vandalismos, crueldade e saques praticados pelos seus comandados em tempos de guerra; a responsabilidade e a culpa são distribuídas proporcionalmente de acordo com as responsabilidades individuais de cada um que, direta ou indiretamente, são unidades do conjunto. Em face da liberdade criminosa ensejada pela guerra, soldados deitam fogo a cidades indefesas, saqueiam os bens alheios, mutilam combatentes adversos, torturam fugitivos, trucidam jovens, velhos, crianças e estupram mulheres, quer seja por obediência a ordens superiores ou pela perversidade na desforra pessoal!”. Ramatiz continua: “Embora Hitler tenha sido um homem cruel e vingativo, julgado pela história moderna como o responsável exclusivo pela última grande hecatombe de guerra, não devemos julgar que ele seja realmente o único culpado de todos os atos abomináveis e bárbaros cometidos pelos seus comparsas militarizados. Na verdade ele deu forma concreta e objetiva aos anseios e sentimentos belicosos de seu próprio povo, o qual foi hipnotizado pelas perspectivas de dominar o mundo, cobrir-se de glórias tolas e aumentar os lucros no saque ao inimigo; animou indivíduos à empreitada homicida e cruel da guerra, embora, considerando-se, com justiça, que certa parte do povo alemão era realmente pacífica, construtiva e avessa à infame guerra germânica”.
Continuando, Ramatiz ainda diz: “No entanto, malgrado Hitler ter sido estigmatizado como o Satã e como sendo o único responsável por acender a fogueira da guerra; outras nações, ‘vestidas de donzelas’, também contribuíram com seu feixe de lenha cortado sob o machado da opressão econômica, imposição ideológica ou política, competição comercial ciumenta ou orgulho de raça, impondo sua prepotência mal disfarçada e apressando soluções egoístas para o futuro”. E termina dizendo: “Os adversários de Hitler apressaram o passo para ‘salvar a humanidade’, mas também escreveram páginas sombrias de vingança, de ódio e de desonestidade’, as quais não foram ignoradas; o Senhor marcou-as também no ‘livro da vida’ para o resgate que há de vir aos seus responsáveis“.

Nenhum comentário:

Postar um comentário