sábado, 27 de outubro de 2012

INTERPRETANDO A BIBLIA: - cap. III


Em tenra eu já simpatiza pela Doutrina Espírita, mas também já encontrava os primeiros desafios e incertezas no campo religioso. Não compreendia de imediato porque alguns indivíduos, uns católicos e outros protestantes, condenavam e corriam do espiritismo como o capeta foge da cruz. Mais tarde vim saber que em alguns capítulos de determinadas edições da bíblia, encontraremos incontáveis condenações ao espiritismo.
Antes de descobrir onde encontrava a realidade dos fatos, minha primeira reação foi de tristeza, porquanto o espiritismo se alinhava ao meu mais alto padrão moral e cristão para o meu entendimento no que se referia aos fatos da vida religiosa.
 Fui em busca da verdade e pude consultar inumeráveis obras, algumas espíritas e outras da metafísica, onde pude descobrir que alguns autores bíblicos, tendenciosamente, modificaram textos originais para condenar o espiritismo.
 Para reflexão, para a busca da verdade dos fatos, divido o questionamento com meu distinto leitor, entre estes, os alunos de teologia ou professores da área, pastores de igrejas, padres e/ou fiéis que se colocarem disponíveis para procurar nas fontes - a verdade.
Meu questionamento é o seguinte: Melhor que ler a bíblia uma vez é consultá-la sempre, fazendo dela uma bússola para trilhar o caminho Cristão; Melhor que guardar para si os ensinamentos é colocá-los em prática. Todavia, a bíblia perdeu, ao longo dos tempos, parte de textos importantes para a interpretação ‘exegese’ - que tem como significado a palavra pura ou divina. No futuro o homem não precisará da bíblia para encontrar seu verdadeiro caminho cristão; contudo, antes desse momento importante da vida, ele irá buscar nas fontes originais as mensagens ‘puras’, desprovidas de interesses pessoais. Talvez por isso Jesus tivesse dito: “Toda planta que meu Pai não plantou, um dia será arrancada”.
 Ao longo da presente matéria, relato alterações na bíblia onde o leitor poderá analisar e tirar suas próprias conclusões. Contudo, o livro mais lido no mundo não perdeu seu papel instrutivo, espiritual e indispensável para o direcionamento do cristão em todas as épocas. Não tenho a intenção de desvirtuar ninguém dos ensinamentos bíblicos, mas sim mostrar ao leitor abnegado que os tradutores ocidentais e, sobretudo, tradutores ‘não espíritas’, dentro de suas interpretações pessoais ao longo dos anos e de forma tendenciosa, sem razões plausíveis, condenam o espiritismo.
 A bíblia já sofreu, ao longo de sua existência, inúmeras revisões e alterações questionáveis em suas variadas edições. Do texto original para o grego, do grego para o latim e do latim para outras línguas, conforme demonstraremos a seguir. Se quisermos procurar em obras antigas e nas boas e grandes bibliotecas, encontraremos informações que irão mostrar-nos a trajetória da bíblia. Para comentar sobre o tema, entre outros livros consultados, busquei inspiração no livro de Doutor Severino Celestino da Silva, que recebe o título de “Analisando As Traduções Bíblicas”, onde encontrei fartas, inteligentes e responsáveis explicações acerca das revisões bíblicas ao longo dos tempos. Como minha intenção é mostrar contradições ‘conspiratórias’ contra o espiritismo, é justo que se diga que ‘alguns’ trechos do capítulo, foram literalmente copiados do livro de Celestino.
Por exemplo, a bíblia recebeu a primeira grande alteração por volta dos anos 290 a.C. a mando do rei do Egito, PTOLOMEU FILADELFO, que mandou buscar em Jerusalém 72 sábios representando a Tribo de Israel, a fim de traduzir a bíblia hebraica para o grego para atender à Colônia Judaica que vivia em Alexandria. Nessa época, a bíblia sofria sua primeira grande alteração.
  Em achados históricos, comenta-se que a tradução da bíblia não recebeu daqueles religiosos, ou da colônia Judaica, apoio moral unânime, uma vez que na tradução perdeu-se muito de sua mensagem ‘exegese’ (divina). Essa primeira tradução recebeu o nome de Septuaginta (ou Setenta – LXX).
   Houve depois, na era cristã, no 3º século, outra tradução do grego para o latim que recebeu o nome de “A VULGATA DE SÃO JERÔNIMO”, a mando do Papa DAMASO-I. São Jerônimo, a contragosto, traduziu a bíblia e desabafou: “Acusar-me-ão de sacrilégio, de falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros. Um duplo motivo me consola desta acusação: primeiro é que vós que sóis soberano pontífice, me ordenais que o faça; segundo é que a verdade não poderá existir em coisas que divergem, mesmo quando tivessem elas, por si, a aprovação dos maus”.
    Ao longo dos tempos, a bíblia recebeu mais alterações profundas. A própria incompreensão na interpretação da língua hebraica contribuiu para que houvesse desvio significativo dos textos originais; assim, cada tradução recebeu o peso ‘hermenêutico’ (pessoal) do tradutor.
Platão, em espírito, nos tempos atuais, ou seja, no Livro dos Espíritos, na questão 1009, faz referência à necessidade de que se faça uma consulta aos textos bíblicos nas fontes originais, pois essas fontes mostram que os gregos, os latinos e os modernos não deram a mesma significação aos textos originais hebraicos.
  O rabino MOSHE GRILAK, em sua obra “Reflexão de Torá”, explica que é difícil para nós, atualmente, avaliarmos os eventos bíblicos, pois a distância física e a distância do tempo impedem-nos de fazer uma avaliação objetiva e abrangente. Ele disse: “Como pode alguém julgar com tanta veemência textos do passado, adaptando-os às realidades do presente e às suas crenças e convicções pessoais”? E continua: “Os originais dos textos sagrados hebraicos não possuem, em nenhuma de suas páginas, referência ou condenação à Doutrina Espírita; as referências contra o espiritismo são por conta ‘deles’. Os tradutores sabem disto!”, finalizou.
   Mais cedo ou mais tarde o novo homem buscará nos originais antigos e, sobretudo,  na Tanách, conteúdos e mistérios ainda incompreendidos para fornecer luz ao caminho do próprio homem, sem as contradições para um sentimento mais humanístico na abrangência das Leis Naturais.
Segundo Severino, grande conhecedor dos livros sagrados, a ‘reencarnação’ está inserida no sentimento filosófico, espiritualista e religioso ao longo dos livros sagrados originais.
  A busca das mensagens exegese da bíblia inalterável ocorreria pelo Concílio Eclesiástico? Pela ciência? Pelos teólogos? Quem toma a liberdade de interpretar as Escrituras Sagradas? É como diz Celestino: ‘Neste século de emancipação intelectual e de liberdade de consciência, o direito de exame pertence a todos e as escrituras não são mais a Arca Santa na qual ninguém se atreveria a tocar com a ponta dos dedos, sem correr o risco de ser fulminado’. Contudo, revogar alterações ocorridas arbitrariamente e mostrar claramente as intenções tendenciosas de autores bíblicos, quer seja de autores do passado, quer seja de autores contemporâneos, seria reparar uma injustiça aos direitos sagrados do cristão.
   Diz Napoleon Hill, no livro ‘A Lei do Triunfo’: “a verdadeira bíblia foi iniciada muito antes de o homem atingir a fase do pensamento, ou mesmo antes de ter ele alcançado o grau de desenvolvimento da ameba (animal unicelular). Não há poder capaz de alterar essa bíblia. A bíblia da natureza, onde tiramos todos os conhecimentos que vale a pena possuir, não pode ser alterada por nenhum homem”.  
Veja abaixo algumas alterações verificadas contra a doutrina espírita. A tradução da bíblia pelos Testemunhos de Jeová, na 1ª edição de 1967, diz assim: “Quanto à alma que se vira para os ‘médiuns espíritas’ e para os prognosticadores profissionais de eventos, a fim de terem relações imorais com eles, certamente porei minha face contra essa alma e o deceparei dentre seu povo”. A tradução correta e original se encerra assim: “Contra esse ser ou alma que vai diante dos ‘necromantes’ e dos ‘adivinhos’ para se prostituir, seguindo-os, eu os darei a minha face e eu o cortarei de dentro de seu povo”. O autor da bíblia, 1ª edição de 1967, literal e equivocadamente, institui as palavras MEDIUNS e ESPÍRITAS, substituindo as palavras NECROMANTES e ADVINHOS com a clara intenção de se posicionar contra a Doutrina Espírita.
Mais uma tradução, a 35ª edição da Bíblia Católica (editora Ave Maria), diz assim: “Se alguém se dirigir aos ‘espíritas’ ou aos ‘adivinhos’ para fornicar com eles, voltarei o meu rosto contra esse homem e o cortarei do meio de seu povo”.
Veja a tradução correta: “Contra esse ser ou alma que vai diante dos necromantes e dos adivinhos para se prostituir, seguindo-os, darei a minha face e o cortarei de dentro do seu povo”
   Ora, a palavra “espírita” (e não espírito) se originou após a instituição da Doutrina Espírita a partir de 1857 para identificar os indivíduos partidários do espiritismo. A palavra ‘médium’ é uma palavra originária do latim e, de acordo com os renomados e sérios pesquisadores dos originais da bíblia, no dicionário da língua hebraica não se conhece essa palavra. Eles afirmam que na língua hebraica, na grega e ou no latim, também não se conhece a palavra espírita e nem mesmo espiritismo. É lógico, pois, que a raça hebraica, bem como Moisés, há mais de quatro mil anos, não condenasse o espiritismo, cuja doutrina só foi codificada em 1857, por Kardec.
Outras ilustrações serão encontradas nos livros de DEUTERONÔMIO e LEVÍTICO. Severino pergunta: “quais os motivos os levaram a traduzir assim”?
Como deixei claro, as referências encontradas nas bíblias, em sua maior parte, foram extraídas da obra de Doutor Severino. Ele é conhecedor profundo da língua hebraica e para que pudesse encontrar e apontar as alterações contidas em algumas bíblias, aprendeu grego, latim e juntou ao seu projeto ilustres professores judaicos, especialistas em hebraico e, segundo ele próprio, gastou uma ‘eternidade’ para produzir seu livro. Consultou muitos livros originais e teve como base as escrituras do Tanách. Muitos não sabem, mas do Tanách originou-se a bíblia ocidental. Doutor Severino escreveu seu livro em português, com transcrição imediatamente abaixo em hebraico, extraída dos originais.
 Diz o professor AVRAHAM AVDAN BEN-AVRAHAM CORRÊA sobre o livro de Severino: “É um trabalho original, de fôlego, com muita força analítica, que precisava estar em todas as livrarias, ao alcance de todos os que querem conhecer o que o Tanách diz sobre a reencarnação”. Avraham é professor de hebraico no RJ.
Ora, é dado ao homem atual abrir o coração para aprender sem medo e sem preconceito e não fazer da bíblia o encerramento de todas as Leis, de todas as mensagens e de todas as informações. Observe os elementares, abra o coração e leia nas páginas da mãe natureza o que ela tem pra nos dizer. Há uma planta conhecida pelo nome popular de ‘Vinca’, na qual estudiosos descobriram em sua estrutura física, mais de 120 princípios ativos tóxicos. As pesquisas continuaram e os pesquisadores nunca dispensaram o interesse pelo 121º princípio ativo da planta; se o dispensassem, teríamos perdido o melhor medicamento para o tratamento da leucemia. Do mesmo modo, não devemos cerrar os ouvidos a tantos outros apóstolos enviados anterior ou posteriormente à vinda de Cristo.
             Os estudos e as revelações são tão indispensáveis ao desenvolvimento da ciência quanto a presença do ar na vida do ser humano. Sócrates, Platão, Copérnico, Galileu, Newton, Laplace, Lavoisier, Einstein e Alexander Fleming foram reveladores, foram apóstolos de Deus. É imperdoável saber que alguns desses reveladores (ou enviados de Deus) foram taxados como malfeitores da humanidade; Galileu Galilei e Joana Darc foram alguns destes incompreendidos.
            Deus não quer bonecos teleguiados, ele deseja a seus filhos caminhos novos e desafios inimagináveis. Leia as mensagens da bíblia sem orgulho, sem paixão, com espírito solto, desimpedido e democrático; todavia, não negligencie outros reveladores cristãos, pois é prudente compreender seu conteúdo intrínseco - nem mais, nem menos!
            A mensagem bíblica se divide em duas etapas distintas: o Velho e o Novo testamento. Moisés, mensageiro do velho testamento, tinha a missão de humanizar um povo atrasado intelectual e espiritualmente. Para que aquele pastor fosse atendido em sua pretensão de conduzir as ovelhas de espíritos ainda rebeldes, restava a ele apresentar um Deus que exterminava povos, ordenava massacres, castigava com veemência os pecadores e que, se desobedecido fosse de suas leis, regava a terra com sangue humano.
O Deus de Moisés fazia da vingança uma virtude, quando ordenava que se retribuísse olho por olho e dente por dente. Pelas leis severas impostas, esse mesmo Deus apresentado por Moisés, nos dias atuais, provavelmente não seria amado, mas temido.
            Ora, o que fazer para se curar de uma enfermidade? Por certo, há de se ter um remédio que responda à gravidade da doença! Moisés haveria de mostrar um Deus que fosse temido para que ELE pudesse conduzir as almas rebeldes daquele povo a um caminho sem alternativa para o desvio. A raça humana daquele tempo concorria com a grave ameaça da adoração aos deuses.  O politeísmo (culto a ídolos), os adivinhos e os necromantes utilizavam-se da arte de adivinhar o futuro com auxílio da invocação dos mortos. Eram práticas habituais que comprometiam um povo demasiadamente corrompido e atrasado espiritualmente.
            Deus deseja nosso crescimento no entendimento evolutivo e deixa que estudemos em nossas próprias cartilhas. Para reforços nos ensinamentos, de tempo em tempo Ele envia um Guia, um Mestre. - Moisés, Jesus, Buda, Francisco de Assis, Confúcio, Maomé, Rama, Pitágoras, Sócrates, Kardec, Chico Xavier e tantos outros mestres; são missionários e profetas do bem.
            Métodos, ora! É irracional ensinar, na escola, lições de séries avançadas a alunos de base elementar. É simples: o Soberano envia mensageiros com ensinamentos que atendam às carências humanas, ajustando-os às lições que correspondam ao estado evolucional daquela civilização, ou seja, Ele envia a luz de acordo com a escuridão do momento.
            Isaac Newton descobriu a ‘Lei da Gravidade’; Albert Einstein, 200 anos após, pôde ir mais adiante, reformar a descoberta, revelando-nos a ‘Teoria Geral da Relatividade’, permitindo maior desenvolvimento e elasticidade no campo científico.
Como eu disse no capítulo anterior, o Velho Testamento teve, de acordo com a carência da época, papel instrutivo que correspondia ao período. Moisés veio, implantou a Lei e pôde ensinar as letras do alfabeto; concluída essa primeira etapa, Jesus veio e assegurou a lei, porém instituiu nos ensinamentos as lições de fraternidade e de amor como base para o ajuste, visando ao rumo evolutivo.       
            Algumas igrejas e alguns religiosos aguardam uma nova vinda de Cristo; provavelmente, aguardam também novos ensinamentos. Jesus nunca nos deixou; Ele sempre esteve aqui espiritualmente. Quanto às mensagens, ‘Ele’ as envia diariamente, conforme prometeu na bíblia, onde veremos em capítulos do apóstolo João.

2 comentários:

  1. É insano imaginar que a Bíblia deva ser interpretada literalmente!!! É como ensinar aos nossos filhos através de histórias!!! Falamos de modo que eles nos entendam...

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  2. É insano imaginar que a Bíblia deva ser interpretada literalmente!!! É como ensinar aos nossos filhos através de histórias!!! Falamos de modo que eles nos entendam...

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